Plenilúnio (canção suave)

Rosana
Talvez o nome de uma canção
Talvez o nome de uma saudade
De uma dor que dói,
Sempre à distância,
Talvez o nome de um vício
(o melhor dos vícios)
De um pesar constante ante a chegada da madrugada
É dia de semana

Rosana
Talvez exatamente uma canção
De melodia suave
Sustida por acordes complexos
Nem todos tocam
Talvez fascinação
Cegueira frente ao inexprimível
Ao impossível

Rosana
Talvez deleite escondido das dores do mundo
Não mais as sinto
Para onde foram?
Quem sabe? Quem sente falta?

Rosana
Mudez advinda do inexprimível
Insustentável leveza do ser
Totem a indicar o paraíso
Ausência de poder
Domina por não querer

Rosana
Canção suave, luz de velas
Plenilúnio lunar
Nunca será aquela
Aurora crepuscular
Presença constante
Nunca será aquela

Rosana
Simplesmente Rosana
Qualquer verso além torna-se vão
De um poeta vazio
Pois Rosana é
Rosana!

Poema escrito em 2006.

Publicado em: on 7 Agosto 2007 at 8:26 pm Deixe um comentário

Orquídea Negra

Tens Certeza que queres cuidar de mim?
Assumi a responsabilidade…
Inspiro cuidados
Não maternos
Não fraternos
Anímicos
Sou como a orquídea que cultivas no vaso
Sou como criança
Mas me sei adulto
Não sou infantil
Queres se tornar responsável por uma interrogação?
Embora num contexto afirmativo,
Uma interrogação
Não posso evitar
O que sou faz parte de mim
Aceitas de bom grado o sorriso, ou a lagrima,
Quando esta cair?
Não faço projeções amorosas futuras
O amor é um jogo de coincidências
Não tem nada a ver com probabilidades
Racional basta eu
Mantenho meu mundo caótico
Para respirar
Para viver…
Para existir além de mim
Por enquanto, joguemos!
Assim terás tempo para pensar.
Poema ecrito em 31/08/06.

Publicado em: on at 8:25 pm Deixe um comentário

Repartição

É insuportável a sensação
De sentir-me inválido, imprestável…
Não tenho a menor disposição
De ajudar as pessoas em suas tarefas “simples”.
O cotidiano me entedia,
Não gosto do comum;
O trivial me afasta e consegue manter-me estático.
Ah! Quisera fazer algo realmente excitante
Que me force a ser mais do que sou;
Que me faça dar mais do que tenho.
Quisera ludibriar o tédio,
Levantar e andar.
Preciso Correr.
Não! É ilusão.

Autômato programado para sorrir,
Tirar dúvidas, bem atender; para ser educado!
Isso cansa beleza da qual não usufruo.
Não nasci para isso!
A Candeia em meus olhos se apaga
Com o sopro do tempo,
A Juventude se esvai marcando a minha face.
E toda minha energia, para onde foi?
Não quero crer que evolou-se
Enquanto estive aqui sentado
É desperdício demais.

Tenho medo de esquecer como era.
A mente arquejante esforça-se
Para fazer a mão relutante
Carimbar mais um documento,
É sacal demais.
A vitalidade se esvai sem um fim.
O que me leva a tornar-me desgostoso,
A arrepender-me
E, pensar em aposentadoria à flor da idade.
Quisera levantar e andar.
Pudera correr.
Quem dera sonhar.
O fato esquecer.

Toca o meio-dia
Uma hora para almoçar, descansar;
Para retornar ao ócio.
É tempo para sorrir,
Falar da mulher, do marido, dos filhos,
Mal do patrão… sempre a mesma coisa;
Não há novidade para mim
E, minha vida sistêmica, não permite que a tenha.
Quando chega a noite solidão ganha sentido
E a vida, lentamente, perde
O que lhe devia ser inerente.
O violão é quem me cede o braço
É o que me basta…
Não tenho muito tempo
Amanhã tenho que trabalhar.
Poema escrito em 2002.

Publicado em: on at 8:24 pm Deixe um comentário

O retorno da musa (alívio pra febre)

Lá vem a musa
Pálida
Nua
Trajada de ilusão
Banhada de sonho
Embebe em solidão

Lá vem a musa
Negra
Escura confundindo-se com a noite
Com a fantasia
Com a alegria
Com o carnaval

Lá vem a musa
Esquálida
Macilenta
Triste
Deprimida
De faca na mão

Lá vem a musa
A dama da noite
Oculta na escuridão
De sorriso largo
Com um copo na mão

Todas são minhas
Multiformes
E sozinhas
Que voltaram ao lar.

Publicado em: on at 8:22 pm Deixe um comentário

Soneto ao Décimo

Dizemos “eu te amo” frequentemente
E frequentemente sentimo-nos amados.
Zelamos pelo que temos conquistado
Malgrado a distância existente

Estamos perdidos! Sinceramente,
Sabemos que é fato consumado
Este viver feliz, apaixonado,
Simbiótico, assaz consciente

Do querer latente,
Evidentemente mal camuflado:
Amar, amar eternamente!

Morrer apenas no final indesejado,
Orgulhosos de nosso amor incontinente.
Reviveremo-lo do outro lado.

Publicado em: on at 8:21 pm Deixe um comentário

Entre Narciso e Dionísio: a impotência

Sou vaidoso! O demônio que tanto persigo e apostrofo nos outros, usando de subterfúgios por mim desconhecidos, escondeu-se em mim. Não a vaidade física, a que muito mdevotam um tempo excessivo a reflexos, imagens, a modelos externos tomados como paradigmas, não! Sou dado a lisonja, que me massageiem o ego e, ao mesmo tempo, repugno-me com isso; é contraditório caçar demônios nas ruas enquanto em ti fazem festa, o desencontro do discurso com o íntimo não enche de orgulho a quem batalha por mudança. O que incomodamente dói não é a constatação do fato, sempre soube, e sim sua aceitação. Sempre empreendi uma tácita batalha para expurgar-me desse mal, em vez de com ele dançar, como muitos fazem defronte o espelho, porém sem apresentar vitórias expressivas em meu combate.

Escrito originalmente em Setembro de 2003.

Publicado em: on at 8:18 pm Deixe um comentário

Dos partidos políticos

Ah! O que são partidos políticos senão currais onde se cercam pessoas em torno de uma possibilidade ideológica? Currais, onde menestréis assumem a liderança entoando, conduzindo a manada, com palavras de ordem e gritos de comando.
Toda virtude, toda a essência tributada aos partidos, perde-se na estrada que conduz ao poder.

Texto originalmente escrito em 13/09/03.

Publicado em: on at 8:16 pm Deixe um comentário

Dia de Sábado

Acordar dia de sábado é como se fosse outro dia, outra pessoa. Mas é outro dia, outra pessoa. São diferentes as sensações corporais ligadas ao despertar, a relação com o tempo, a forma de raciocinar… E a indolência dos músculos em responder aos comandos cerebrais.
tudo está embebido em uma lerdeza imanente ao fim-de-semana. Pobre dos que têm de trabalhar, forçar o corpo contra a própria natureza. Eu já acordo cansado! Demoro um pouco a entrar em consonância comigo. Demoro um pouco a entrar em consonância comigo, a me localizar no espaço-tempo, o relógio nem sempre ajuda. E quem liga?
Quando mãe não está, o despertar é suave, sem safanões e reclamações antecedendo a consciência; nem sei como levanto.
Peraí!, o sábado mal começou e eu tô escrevendo…? Qu’é qu’eu tô fazendo?

Publicado em: on at 8:15 pm Deixe um comentário

Entropia Social

A física nos ensina, através da segunda Lei da Termodinâmica, que sistemas fechados tendem ao aumento da entropia e esta, com o tempo, acaba por desestabilizá-los.
Em nossa sociedade não faltam agentes a serviço do caos. Pessoas mesquinhas, prontas a desestabilizar ambientes que lhe são estranhos, que não compreendem (é da natureza humana ter medo do desconhecido – e, de alguns, a inveja); não possuem meios ou encantos para se inserir, cativar, então resta-lhes a peçonha.
Destilar veneno no habitat não surte o efeito desejado, é mister novos meios de ataque (os sistemas, em especial os sociais, possuem suas defesas) então partem em busca de agentes externos que, como vírus, destroem o meio em que se estalam. Furtivamente, juntam parte da energia desprendida pelo sistema… arma letal!
Porém, covardia é sua marca maior; cobrem-se com o véu do anonimato, repousando numa confortável ignorância das partes injuriadas. Mas a verdade sempre emerge. A máscara escorrega, todavia a falsidade a mantém tropegamente no lugar.
Quando o deslize torna-se evidente, estes seres perniciosos, invejosos até a última célula, tornam-se agressivos. Com o dedo em riste perdem o medo de apontar, porém já não há defesa. Onde buscar abrigo num sistema fechado?
O clima denso criptografa as conversas. O corpo estranho deve ser escluído. Que outro meio?
Não temos esse poder, infelizmente. As regras sociais garantem as liberdades individuais.
Não obstante, há luz. A mesma lei mencionada acima (a segunda Lei da Termodinâmica, lembra?), prega que em sistemas complexos a entropia tende a diminuir. E a Complexidade fala que estes são autoreorganizáveis, absorvendo a entropia e se reestabilizando. E que através do caos surge uma nova ordem, mais estável, resistente ao que o desestabilizara anteriormente. Os sistemas sociais são complexos. Há esperança ainda. Afinal, não há tempestade que dure para sempre.

Publicado em: on at 11:48 am Deixe um comentário

Furacão extra-sensorial

Hoje um furacão passou e não abalou uma folha sequer.
Seu rastro de destruição limitou-se a mentes e a paz de espírito dos que sorriam a dias atrás.
Como é tênue a alegria. Tão frágil…
O ar amplia sua densidade quando sentimos medo de nos expressar com naturalidade; movimentos travado não ocultam o tanto que foram calculados para serem executados. Tudo cheira a delação. A angustia de ser acusado sem saber porquê ou por quem.
Nada fizeste. Teu único pecado fora viver da melhor maneira possível. Mas quem não tem não dá paz.
O furacão passou, mas ficou a chuva de uma tempestade tropical. Como fechou o clima em minha praia paradisíaca!

Publicado em: on at 11:45 am Deixe um comentário